quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O que a propaganda de Serra não diz

Em 2009  o governador José Serra faturou a medalha de ouro nas olimpíadas dos gastos publicitários. E na guerra propagandística do tucanato, a primeira vítima, para não variar, foi a verdade.

Alguns exemplos. A milionária obra de ampliação da Marginal do Rio Tietê, na capital paulista, foi apresentada como importante obra urbanística e ambiental, contrariando a opinião de todos os especialistas. 

A verdade, porém, trafega em outra direção. Tal obra é uma tragédia em matéria de macrodrenagem urbana.  Com ela, há novo aumento da área impermeabilizada em torno do rio e o consequente  agravamento dos riscos de novas e maiores enchentes.

Antes, os tucanos exibiam outdoors por toda a Marginal Tietê com a frase "enchentes nunca mais". Como a propaganda deu com os burros n'água, Serra abandona as veleidades antienchentes e promete, agora, acabar  com os congestionamentos.

Uma vez mais se agride a verdade e a inteligência das pessoas. Toda pessoa que conhece São Paulo sabe que é uma impossibilidade física enfrentar o problema dos congestionamentos com a simples ampliação da Marginal.

O máximo que se pode conseguir é mudar o congestionamento de lugar,  além de encher as burras de futuros financiadores de campanha. Mas a obra tem objetivos (eleitoreiros) de curto prazo, o povo que se exploda.

Outra propaganda enganosa é a que tenta tirar de São Paulo o título de   campeão brasileiro de pedágios. As principais rodovias do Estado, sob concessão privada, se transformaram em verdadeiras máquinas de sugar dinheiro dos usuários.

A multiplicação das praças de pedágio e o valor abusivo cobrado tornam o direito de ir e vir letra-morta no Estado. O custo dos pedágios supera os dispêndios com combustível e prejudica, direta ou indiretamente, toda a população.

Mas essa sangria com o bolso do contribuinte não aparece na propaganda oficial. A melhora nas estradas paulistas, paga a peso de ouro, tem como contrapartida a irritação crescente na população.

Não por acaso,  multiplicam-se em São Paulo movimentos (com a participação de empresários, usuários e sociedade em geral) reclamando uma drástica diminuição no valor e no número de praças de pedágio.

Insensível, o governador quer fazer piquenique na sombra dos outros. O concessionário privado faz a obra, o povo paga a conta e o governo se vangloria. Mas o gogó dos tucanos na propaganda tem pernas curtas...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cinema no Brasil

O Brasil tem 2.278 salas de exibição de filmes (*).  800 (35%) ficam em SP, 306 (13%) no RJ, 206 em MG (9%), 142 no RS (7%),134 no PR (6%), 88 no DF (4%), 82 em SC (4%), 73 em GO (3%), 72 na BA (3%), 60 em PE (3%) e 300 nos outros estados (13%),

Dos 5.564 municípios brasileiros, 5.156 não têm sala de cinema. Em 2008, o Brasil registrou 89.960.164 espectadores. De 1970 a 2008, os dez filmes brasileiros mais vistos foram:

1. Dona Flor e seus Dois Maridos (Bruno Barreto) - 10.735.524 espectadores;

2. A Dama do Lotação (Neville de Almeida) - 6.509.134;

3. O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (J.B. Tanko) - 5.786.266;

4. Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia (Hector Babenco) - 5.401.325;

5. Os Dois Filhos de Francisco (Breno Silveira) - 5.319.677;

6. Os Saltimbancos Trapalhões (J.B. Tanko) - 5.218.478;

7. Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Adriano Stuart) - 5.089.970;

8. Os Trapalhões na Serra Pelada (J.B. Tanko) - 5.043.350;

9. O Cinderelo Trapalhão (Adriano Stuart) - 5.028.893;

10. O Casamento dos Trapalhões (José Alvarenga Jr.) - 4.779.027.

Como se vê, o rei de público do cinema brasileiro é o famoso comediante Renato Aragão, dono de seis das dez maiores bilheterias de 1970 a 2008.

 A grande maioria dos brasileiros, porém,  assiste a filmes estrangeiros. Na 43a. semana de 2009, para ficar em um único exemplo, estavam em exibição no Brasil 119 filmes, e os nacionais eram apenas 25.

(*) Todos os dados disponíveis no sítio da Ancine.

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010: a economia vai bombar!

Os jornalões paulistas de hoje não conseguem esconder. Os investimentos públicos e privados devem aumentar bastante em 2010, dando base real às previsões de que o PIB/2010 supere a casa dos 5%.

Programas como Minha Casa, Minha Vida, pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada e principalmente as boas perspectivas da economia brasileira explicam esse boom.

Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base),  diz que os investimentos no Brasil passarão dos atuais R$ 100 bilhões para R$ 160 bilhões. 

O presidente do  BNDES, Luciano Coutinho,  é mais otimista. Para ele, já em 2010 o Brasil pode alcançar uma taxa de investimento de 20% do PIB, essencial para garantir crescimento robusto da economia.

 Os investimentos são a principal variável para se obter um crescimento consistente da economia. Com isso, depois das turbulências de 2009, o Brasil pode iniciar  um novo e sustentado ciclo de crescimento.

Os investimentos ampliados somam-se ao aumento da massa salarial, aos programas de transferência de renda e as  facilidades no crédito, gerando  vigor adicional ao  mercado interno brasileiro.

Com as dificuldades do comércio internacional, reside no mercado interno as principais possibilidades de energização da economia. E o mercado interno, registre-se, é elemento chave para o humor das pessoas.

Dois exemplos: as vendas de shopping cresceram 7% neste Natal e o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007, segundo o Ministério do Turismo. É a nova "classe média" comprando e viajando como nunca.

O ponto fora da curva desse  processo são os ganhos exorbitantes do setor financeiro. Segundo estudo da Fiesp, as empresas e os consumidores brasileiros pagaram aos bancos R$ 261 bilhões de spread bancário.

Se os bancos brasileiros seguissem o padrão internacional, estes custos seriam de R$ R$ 71,5 bilhões. A sangria do spread limita os investimentos e  diminui a produtividade no país, acrescenta a  Fiesp.  

Apesar desse desequilíbrio, a economia vai bombar em 2010.  Popularidade do presidente continua em alta e economia positiva,  as eleições  devem realizar-se como céu de brigadeiro para aqueles que querem  continuar e aprofundar o ciclo progressista inaugurado por Lula. Que os anjos digam amém!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Morre Roberto Guerra Cavalcante

Morreu às 6 horas da manhã deste sábado, 26, Roberto Guerra Cavalcante. Guerra, como era conhecido, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) de 1985 a 1988. Sua gestão foi o marco do processo de renovação da entidade.

Guerra também participou da primeira Executiva da CGT, eleita em 1986. Caso raro no sindicalismo,  ficou só um mandato no sindicato, mesmo sendo presidente, e deu o seu decisivo apoio para que eu o substituísse na presidência, fato que viria a marcar o essencial de minha trajetória política posterior.

O meu companheiro e amigo Guerra, carioca, vascaíno e apaixonado por São Paulo, militou na Ação Popular e no PCB. Não sei  de suas opções partidárias depois disso.  Seguiu carreira profissional como economista durante cerca de 30 anos na Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo, onde também ocupou a presidência da Associação dos Profissionais Universitários.

Guerra estava com 63 anos e nos últimos anos teve diversos problemas de saúde. Ponte de safena, cirurgia de próstata, aneurisma e problemas nos pulmões. Ao se recuperar de uma séria cirurgia pulmonar, não resistiu a uma infecção hospitalar e morreu.

Acompanharam seu sepultamento companheiros de militância, de trabalho e seus parentes, a maioria dos quais mora no Rio de Janeiro.   Todos recordávamos as características singulares do Guerra. Franco, leal, duro às vezes, errático quase sempre, uma figura!

Sua partida precoce nos surpreendeu. Guerra planejava aposentar-se no início do ano que vem e dar uma guinada na vida. Morar na Bahia, curtir novos amores na vida,   viver saudavelmente, já que recebera a recomendação  de decifrar o terrível enigma: viver a vida com prazer, sem cigarro e sem cerveja, todavia...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

As reservas cambiais

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL) edita uma revista  chamada "Por Sinal". Na edição nº 29, de novembro, há uma  uma matéria que me chamou a atenção, escrita por Paulo Vasconcellos. Nela, o jornalista do SINAL aborda um tema muito falado mas pouco conhecido que são as reservas cambiais.

Segundo a revista, o Brasil tem US$ 220 bilhões de reservas e é o quarto maior financiador dos EUA, superado apenas pela China, Japão e Reino Unido. A manutençao dessas reservas tem um custo anual de R$ 33 bilhões, 1% do PIB. Causa: diferença entre o custo de captação (taxa Selic de 8,75%) e a remuneração dos ativos aplicados no mercado internacional que é de 0,25%, taxa americana.

O benefício marginal do acúmulo de reservas, segundo a revista, é menor do que o custo, daí a necessidade de aumentar a rentabilidade das reservas para diminuir o custo das operações. O caminho para isso é a diversificação das aplicações, diminuindo o peso das aplicações em títulos do Tesouro dos EUA.

Apesar disso, ainda segundo a revista, as reservas cambiais são importantes para o Brasil. Tem o seu custo,  mas ajudaram na travessia da crise e garantem uma margem de manobra maior na gestão da política cambial e monetária. A esse respeito, é sempre bom lembrar a famosa frase da Conceição Tavares, segundo a qual "crise inflacionária aleija e crise cambial mata".

Para quem tiver interesse, a íntegra da matéria está disponível no endereço www.sinal.org.br. Lá é possível acessar estas e outras matérias do Sindicato dos Funcionários do BC.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Netinho de Paula

netinho_sbt1A grande surpresa da pesquisa Datafolha entre os prováveis concorrentes paulistas ao Senado foi os 22% para Netinho de Paula. A dez meses das eleições, esse percentual praticamente pavimenta o caminho de Netinho para disputar uma das vagas ao Senado.

Netinho hoje é vereador paulistano pelo PCdoB. Foi o segundo mais bem votado nas eleições e cumpre seu primeiro mandato com êxito. Seu nome está bem situado e reúne condições de atender um anseio crescente entre os paulistas por novas lideranças no Senado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nó eleitoral em São Paulo

Até agora o tucanato não definiu quem vai disputar a eleição para o Palácio dos Bandeirantes. Para honrar a tradição,  devem ficar um bom tempo em cima do muro. O nome mais forte, para desgosto de Serra, é o de Geraldo Alckmin, mas podem surgir surpresas.

As últimas pesquisas entusiasmaram os "alkimistas", como são chamados os correligionários do ex-governador, mas há muitas cascas de banana no poleiro dos tucanos.

O principal problema deles é a definição da candidatura presidencial. Ao jogar para março a decisão, José Serra transmite a sensação de que vai avaliar bem se vale a pena largar o governo e a disputa pela reeleição e se aventurar num salto no escuro que é a disputa presidencial.

A desistência (por ora) de Aécio Neves pressiona Serra para a disputa nacional, mas a tendência de uma reversão do quadro não está descartada. O crescimento consistente de Dilma pode jogar água no chope do carrancudo governador paulista e fazê-lo dar marcha-à-ré em suas quimeras presidenciais.

Ao lado da prolongada indefinição de Serra, um fator conspira contra o PSDB. O prefeito Kassab, mais fiel ao governador do que muitos tucanos, enfrenta um inferno astral à frente da administração municipal.

Crescimento violento do IPTU, enchentes, aumento das passagens de ônibus, sujeira se espalhando por toda a cidade, política de assistência social deteriorada, tudo se movimenta contra o DEM e seu prefeito. De quebra, o panetonegate de Brasília estilhaça também as vidraças pseudo-moralistas dos neo-lacerdistas do ex-pefelê.

Por tudo isso, vale a lembrança: tudo o que é sólido se desmacha no ar. A exuberância das pesquisas favoráveis para os tucanos pode se esfumar ao longo da campanha.

Pelo lado da oposição ao PSDB/DEM, o cenário também está nublado. Não existe nome natural, as hipóteses de candidaturas são bem diversificadas e as últimas pesquisas não são animadoras.

O caminho menos difícil é o de se buscar uma ampla unidade partidária, definir um programa alternativo para o estado, consensuar critérios viáveis eleitoralmente para a escolha da candidatura e se ancorar no prestígio do presidente Lula, alto também em São Paulo, para derrubar as fortalezas tucanas.

Parece ocorrer um fenômeno de continuísmo nas eleições para os estados, em todo o país. Os ventos favoráveis da economia e os programas sociais do governo federal parecem levar o eleitorado a apostar na tese do time que está ganhando não se mexe, seja qual for a eleição.

A inteligência política, aqui em São Paulo, está à prova. Separar o joio do trigo e fazer um imenso esforço para colocar São Paulo no mesmo rumo progressista nacional são as tarefas essenciais.

Acabar com esse longo inverno de hegemonia tucana é a parte que nos cabe nesse latifúndio. A tradição democrática e de luta do povo de São Paulo está chamada ao posto de combate.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Programa Bolsa Família em São Paulo

Em 2008 São Paulo tinha uma população de 41.011.635 pessoas . Nesse mesmo ano, famílias pobres cadastradas com renda mensal per capita inferior ou igual a meio salário mínimo (R$ 232,50)  somavam 3.189.926.

Desse imenso contigente de famílias pobres, o estado de São Paulo contabilizou 1.152.712  beneficiadas com o Programa Bolsa Família (novembro/2009). A capital paulista teve 155.183 famílias, Guarulhos 54.163 e Campinas 28.287.

No Brasil, o Programa Bolsa Família atende 11.921.480 famílias, distribuídas em 5.564 municípios, consumindo cerca de R$ 11 bilhões do orçamento. É recurso modesto diante da relevância social desse badalado programa de transferência de renda.

Ao contrário do que se propaga, aumenta o número de homens (2,2 vezes) e o de mulheres (4,5 vezes) que, a despeito de inscritos no programa, ingressaram no mercado de trabalho, conforme  dados são da PNAD - Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio de 2004.

Bolsa família e principalmente aumento real do salário mínimo são as joias da coroa da face social do governo Lula.

Gambito mineiro

Quem joga xadrez sabe. Gambito é  sacrifício material (de peão ou outra peça) para obter  ganhos não materiais como tempo, espaço, desenvolvimento ou linhas abertas.

Dos meus primeiros estudos de xadrez eu  lembro alguma coisa: dominar o centro, dar mobilidade às peças, ter iniciativa do jogo, ocupar as colunas abertas. Quando dá certo, o gambito ajuda nesses objetivos, a despeito da inferioridade material momentânea.

Com frequência se faz analogia entre a partida de xadrez e as disputas políticas. O governador Aécio Neves parece que deu um gambito (mineiro) em seu colega e concorrente José Serra. Ao sair da disputa interna pela candidatura presidencial, Aécio emitiu vários sinais.

"Sacrificou" sua candidatura, mas deixou o rival  sem tempo, sem espaço e sem desenvolvimento adequado das peças do tabuleiro eleitoral. De quebra, transmitiu aos mineiros que foi atropelado em suas pretensões por um paulista. É a senha para a nova Inconfidência Mineira.

Salário mínimo/2010: R$ 510,00!

O salário mínimo previsto para 2010, segundo o relator da proposta orçamentária em debate no Congresso Nacional, é de R$ 510,00, valor que incorpora  a inflação de 2009 + o PIB de 2008 + um arredondamento para cima.

O movimento sindical brasileiro apoia esse aumento e considera a política de valorização permanente do salário mínimo, que deve vigorar até 2023, uma das principais vitórias dos trabalhadores no governo Lula.

Hoje há um certo consenso de que o aumento da massa salarial fortalece o mercado interno e põe em movimento o círculo virtuoso da economia:  mais venda, mais produção, mais emprego e mais salário. O dogma de que salário causa inflação, muito difundido no Brasil em outros tempos, agora não tem espaço no debate nacional.

A política de valorização do salário mínimo, por isso mesmo,  é uma das mais consistentes e estruturantes medidas de distribuição da renda. Um exemplo significativo: entre assalariados e aposentados, cerca de 43 milhões de pessoas são direta e imediatamente favorecidas com esse aumento.

O Brasil enfrentou a crise econômica sem maiores traumas principalmente por que o consumo das famílias, para usar o jargão econômico, se manteve aquecido. Os salários e outras políticas de transferência de renda, ao lado do aumento do crédito e denonerações fiscais, foram iniciativas positivas do governo que ajudaram na travessia desse conturbado período da economia mundial.

Essa avaliação positiva, no entanto,  não pode deixar de lado o secular desafio: o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho para reverter as desigualdades sociais.

Em 2008, dados do Dieese e do MTE contabilizavam que o Brasil possuía uma população  economicamente ativa de 104,6 milhões, cerca de 2/3 da população total do Brasil.

Desse universo, 70 milhões recebem 13º salário, indicador de que estão presentes no mercado formal de trabalho. A outra parte, suponho, deve ter rendimentos não-assalariados ou provenientes da informalidade.

Os números falam por si.  A  pirâmide de distribuição dos rendimentos, apesar dos notáveis avanços no governo Lula,  ainda é  extremamente desigual. O anuário do Dieese/MTE/2008 apresenta os dados referentes ao rendimento da população economicamente ativa por faixas do salário mínimo:

 

Até 1 salário mínimo (SM): 30,9%;


 1 a 2 SM: 29,6%;


 2 a 3 SM: 10,6%;


 3 a 5 SM: 7,4%;


 5 a 10 SM: 6,3%;


10 a 20 SM: 2,2%;


+ 20 SM: 0,8%;


 sem rendimento: 10,8%; sem declarar: 1,3%.


Os indicadores mostram que, em termos absolutos,  85,7 milhões de pessoas economicamente ativas tem rendimentos até três salários mínimos. Principalmente com o aumento do valor real do salário mínimo, milhões de pessoas conseguiram subir alguns degraus na dura luta pela mobilidade social.



Perseverar nos aumentos a partir da base da pirâmide salarial é uma necessidade imperiosa, repercute positivamente em todas as outras faixas salariais e torna menor a grande distância entre o piso e o pico salarial praticados no Brasil.

Ocorre que um fenômeno perverso atua na contramão desse processo, que é a elevada rotatividade do mercado de trabalho brasileiro. A rotatividade é um mecanismo clássico do patronato para demitir trabalhadores e substituí-los por outros com menor remuneração.

Essa deve ser uma das principais causas da lenta alteração na acirrada disputa entre o capital e o trabalho na distribuição funcional da renda. Daí resulta a importância de se implantar legislação que proíba ou limite drasticamente as demissões imotivadas, para que os ganhos salariais não sejam neutralizados.

Paralelamente ao controle da rotatividade do trabalho, o Brasil precisa incorporar milhões de trabalhadores ao mercado formal de trabalho e ao sistema público de previdência social. Tudo somado com a universalização dos serviços públicos essenciais, como saúde e educação.

Esses temas vão ocupar o centro dos debates nas eleições de 2010. Para os trabalhadores, a meta é evitar o retrocesso, manter e aprofundar as mudanças inauguradas pelo governo Lula e abrir novas e melhores perspectivas de desenvolvimento e progresso social ao nosso país.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Emprego e salário crescerão na indústria em 2010

O Departamento de Competividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou dados segundo os quais de outubro de 2008 a  setembro de 2009,  o montante de salários industriais pagos em um ano no Brasil caiu de  R$ 190 bilhões para R$ 177 bilhões.

A diminuição de 5,3% da massa salarial refletiu a diminuição do número de trabalhadores no setor. Para o período analisado, o número de trabalhadores encolheu 4,1%, passando de 7,03 milhões (outubro/2008) para 6,74 milhões (setembro/2009).

Esse quadro está em plena reversão. Só no mês de outubro deste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego aponta que houve um aumento de 74,5 mil trabalhadores na indústria.

Estudos divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam para uma consistente retomada do emprego e dos salários industriais. Para 2010, a CNI acredita que o PIB industrial crescerá 7%,  situação bem mais favorável do que em 2009, onde a indústria brasileira deve amargar um recuo de 4,5% negativos.

Com o crescimento da produção industrial, o setor contratará mais trabalhadores e pagará salários maiores. A CNI afirma, nesse sentido,  que primeiro crescem as vendas, depois as horas trabalhadas e só depois o emprego.

Esse ciclo virtuoso já está vigorando, o que provocará, segundo a entidade, um incremento de 5% na massa salarial e crescimento continuado do emprego industrial no ano de 2010.

 Esses dados da economia influenciarão o humor do eleitorado nas eleições de 2010. Essa é uma das razões do atual frenesi nas hostes da oposição conservadora.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Três deputados comunistas eleitos no Chile

Todas as forças políticas chilenas reconhecem que um dos acontecimentos mais relevantes das eleições deste domingo foi o triunfo, pela primeira vez depois da redemocratização do Chile, de três representantes do Partido Comunista do Chile.

A honra histórica cabe a Guilhermo Teiller (presidente do PC do Chile), Lautaro Carmona e Hugo Gutiérrez, que a partir de março de 2010 representarão os comunistas no parlamento chileno.

As eleições presidenciais serão definidas no segundo turno entre o direitista Sebastián Piñera (44,03% dos votos) e Eduardo Frei (29,62%). O terceiro colocado, Marco Enríquez Ominami (20,12%) disse após as  eleições que os dois candidatos representam o passado, não o futuro, sinalizando a liberação de voto para os seus apoiadores. Já o candidato de esquerda, Jorge Arrate (6,21%), deve apoiar Eduardo Frei para evitar o retorno da direita ao governo do Chile.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Deseconomia de escala: dois exemplos

1. A indústria automobilística, para usar um surrado chavão, é um dos carros-chefes da economia. Quando pintou a crise,  adotou-se medidas para estimular a venda de carros. Diminuição de tributos, facilidades creditícas e por aí vai. É o tal remédio na veia, o efeito é imediato.

A venda bate recordes e toda a imensa cadeia produtiva se refestela em lucros. Esse é o lado defensável das medidas de estímulo a esse segmento industrial. Mas tem dois efeitos colaterais perversos que colocam em xeque essa política. O primeiro deles é que nossas ruas, avenidas e viadutos estão entupidos e o trânsito não anda. O segundo é que os automóveis e outros veículos são grandes poluidores.

Parece  óbvio que a saída é uma total inversão de prioridades, com ênfase no transporte coletivo, em especial trens e metrô, meios de locomoção rápidos e  não poluentes, uma solução tão racional quanto improvável no futuro imediato.

2. Às sete e quinze da manhã desta terça-feira peguei um táxi no Bairro do Limão, zona noroeste de São Paulo, para ir até Pinheiros, zona oeste. Uma hora e meia depois, taxímetro marcando R$ 39,00, o carro andou menos de dois quilômetros e eu não consegui sair do bairro. Desisiti e voltei a pé para casa, com minha filha (que também não foi trabalhar de manhã). Perder dinheiro, tempo e a paciência não chega a ser uma quebra de rotina. Depois do almoço tentarei chegar ao destino, se as águas deixarem...

Tudo porque a Marginal transbordou e ninguém conseguia atravessar o Rio Tietê. É o enredo de sempre: São Paulo tem três rios principais: Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, todos eles confinados por vias "expressas", ocupando o espaço que seria das águas. Quando chove, o leito dos rios não suporta o volume de água, que escoa para as marginais.

 Os especialistas afirmam que a impermeabilização do solo urbano, o assoreamento dos rios e córregos, a ocupação desregrada das margens dos rios são causas de todas as enchentes da capital paulista. As autoridades nada fazem para reverter esse conjunto de fatores. No mais das vezes, concorrem para a piora do quadro.

Um exemplo disso: o governador José Serra e o Prefeito Kassab estão ampliando o ataque ao Rio Tietê, com a construção de mais mais faixas na Marginal. Como o transporte individual parece ser uma paranoia, a população custa a perceber que a ampliação da Marginal Tietê agrava a já precária drenagem urbana paulistana, não resolve os problemas de trânsito e potencializa os riscos de novas e maiores  enchentes na cidade.

No fundo, o que o Serra e o Kassab querem é criar factóides para a demagogia eleitoral. Preferem o foguetorio das inaugurações. Quando a tragédia vem, culpam São Pedro, nunca choveu tanto, dizem. É o papo de hoje em São Paulo. A maior cidade do país está literalmente parada, milhões de reais de prejuízos são contabilizados e as  macabras estatísticas de gente pobre morrendo soterrada não param de crescer.

Os economistas chamam isso de deseconomia de escala.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os Salários e o novo projeto nacional de desenvolvimento

O Dieese apresentou um interessante documento  sobre o 13º salário no Brasil. O estudo desse material (disponível no endereço www.dieese.org.br),  permite uma boa avaliação sobre o mercado de trabalho e o perfil da renda dos trabalhadores e aposentados brasileiros.

Por esse estudo, o 13º salário injeta  R$ 84,8 bilhões (2,8% do PIB) no mercado, beneficiando quase 70 milhões de pessoas. Todo esse dinheiro se volta para o mercado interno, aquece a economia pela via do aumento da demanda, ou o consumo das famílias, como gostam de falar os economistas.

Esse universo de beneficiários é assim distribuído:

a) 26,8 milhões  de  aposentados e pensionistas do INSS (38,3%)  recebem R$ 17,1 bilhões;

b) 40,4 milhões de assalariados do setor público e privado (57,7%) recebem R$ 57,6 bilhões;

c) 1,8 milhões de empregados domésticos (2,5%)  recebem %$ 996,5 milhões;

d) 983,9 milhões de aposentados da União (1,4%) recebem R$ 4,8 bilhões, e

e) Aposentados dos estados (quantidade não disponível) recebem R$ 4,4 bilhões.

O valor médio do 13º salário é de R$ 1.390,00. Para comparação, o Dieese calcula, com base no mês de novembro, que o salário mínimo necessário de uma família de quatro pessoas, para cumprir o que diz a Constituição, deveria ser de R$ 2.139,06 (o salário mínimo nominal, no Brasil, é de R$ 465,00).

Os empregados formais, baseados na atividade econômica,  são assim distribuídos:

a) indústria: 7.958.831 (19,7%);


b) Construção Civil: 2.098.800 (5,2%);


c) Comércio: 7.425.580 (18,4%);


d) Serviços (incluindo administração pública): 21.340.799 (52,9%);


e) Agropecuária, pesca e correlatos: 1.550.144 (13,8%).



Esses números mostram a importância de uma política permanente de valorização do salário mínimo. De um universo de 70 milhões de assalariados e aposentados no Brasil, 43,4 milhões recebem até um salário mínimo. Como de 2003 a 2009 o salário mínimo teve um aumento real de 44,95%, o impacto positivo favorece a maioria e acaba ajudando todas as faixas salariais.

No entanto, ainda é baixo o salário pago no Brasil. O salário mínimo necessário do Dieese (R$ 2.139,06) está acima até do salário médio praticado no país. O  incremento salarial, embora positivo nesse último período, ainda não consegue acompanhar os ganhos de produtividade da economia.

O resultado mais visível disso é que a participação relativa do trabalho na renda nacional, em geral, é decrescente.  Esse é um dos principais indicadores da desigualdade social e um dos entraves estruturais a ser superado no Brasil.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a esse respeito, afirma "que para haver melhora geral na distribuição da renda nacional torna-se necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional (repartição funcional) ocorra simultaneamente à redução da desigualdade na repartição pessoal da renda do trabalho".

Traduzindo para o Português: a turma do andar de baixo precisa superar dois desafios: 1) aumentar a renda do trabalho diante do capital e 2) diminuir a distância entre a base e o pico da pirâmide salarial.

Um novo projeto nacional de desenvolvimento precisa colocar no topo da agenda o aumento da participação da renda dos trabalhadores na distribuição funcional da renda nacional.

Fla, Flu, Bota e Vasco: é só alegria no Rio!

Em uma certa fase do Brasileirão, parecia que o futebol carioca flertava com a catástrofe. O Flamengo não estava entre os dez mais bem colocados, Botafogo e Fluminense na zona da degola e o Vasco não tinha assegurado o seu retorno à elite do futebol.

De repente, não mais do que de repente, os primeiros colocados, com o destaque negativo do Palmeiras, começaram a perder posições. Devagar, devagar bem devagarinho, o Flamengo foi chegando lá e acabou campeão.

Na reta final o Botafogo e o Fluminense se safaram da degola. A reação do Fluminense foi sensacional. O artilheiro Fred comparou a fuga do rebaixamento com a conquista de um título, no que ele tem razão. O segundo turno do Flu foi épico. E o Vasco velho de guerra foi campeão da Segundona.

Resumo da ópera: neste Brasileirão, o que faltou de futebol sobrou de emoção. E os pontos corridos ganharam do mata-mata em todos os quesitos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Liberdade, autonomia e unidade sindical

greve_segall_1956Algumas questões importantes da organização sindical, com insistente frequência, ocupam a agenda política e provocam intermináveis controvérsias. As diferentes concepções expressam  opiniões que revelam o caráter classista ou não das diferentes correntes.

 Fiquenos no debate a respeito do real conteúdo da liberdade, autonomia e unidade sindical. Na boca dos sindicalistas ou na pena dos intelectuais que escrevem sobre o tema, proliferam as mais diferentes opiniões. Enfio minha colher nesse caldeirão e entro no debate, lançando algumas ideias sobre a matéria.

Liberdade sindical é um pré-requisito essencial. Sua materialização se traduz no direito de organização dos trabalhadores no local de trabalho, na liberdade para se sindicalizar e participar das atividades sindicais, exercer o direito de greve e o de eleger e ser eleito para as direções sindicais, com a devida estabilidade.

Autonomia expressa a independência das entidades face ao estado, ao patronato e aos partidos políticos. A autonomia requer, preliminarmente,  independência financeira, capacidade para lutar sem precisar pedir licença (e dinheiro) para ninguém. 

As contribuições chamadas de compulsórias, essenciais para sustentar boa parte das entidades sindicais, precisam ser preservadas. Cortar ou limitar as fontes de custeio dos sindicatos é uma preocupação permanente do capital.

A ilusão de que o trabalhador individualmente é que deve decidir se contribui ou não para suas organizações é produto de uma visão liberal que desconsidera a luta de classes, a ingerência do patronato e do estado na vida sindical, as múltiplas ameaças sofridas pelo trabalhador.

Autonomia também é a capacidade de elaborar políticas, planos de luta e defender prop0stas sem se subordinar aos interesses partidários ou de governos de turno. A autonomia não é sinônimo de neutralismo ou omissão. Havendo convergência de opiniões ou de interesses, os sindicatos não só podem como devem se colocar como protagonistas na luta política, ter opinião, defender seus interesses.

Por último, mas não menos importante, a unidade é a arma básica para fortalecer a organização e a luta dos trabalhadores. Neste caso também pululam propostas de conteúdo liberal, propostas que sonham que a unidade deve ser construída pela vontade individual dos trabalhadores e não "imposta" pelo estado. A consigna famosa de Marx, "proletários de todo o mundo, uni-vos", é um chamamento à unidade em todos os setores, aí incluída, naturalmente, a unidade sindical.

O dispositivo da Constituição brasileira que prevâ a unicidade sindical, por exemplo, tão criticado por setores do movimento sindical, é um anteparo para impedir ou limitar a proliferação de entidades na mesma base territorial.

 Os sindicatos devem representar todos os trabalhadores da base, todos devem contribuir com a sua sustentação e todos devem usufruir dos ganhos das campanhas salariais e de outras lutas sindicais.

Criar entidades "orgânicas", com base exclusiva nos filiados, é um contrabando que procura dividir o movimento sindical de cima a baixo. Essa concepção partidarizada quer impor uma norma organizativa que obriga os trabalhadores a rezarem pela mesma cartilha política da direção sindical, excluindo-se os que tem opiniões diferentes.

Se é legítmo e importante que os trabalhadores participem da vida política, se filiem a partidos políticos, é igualmente importante garantir a democracia interna das entidades e a liberdade de os trabalhadores terem ou não filiação partidária. Como organização plural e de massas, o sindicato e as entidades superiores não podem limitar sua base de representação a parte da categoria.

Liberdade, autonomia e unidade sindical são, portanto, elementos essenciais para orientar a organização sindical com uma visão avançada. Defender esse caminho não exclui, antes exige, uma permanente atualização das formas de organização e luta dos trabalhadores.

As inovações tecnológicas, as novas formas de gerenciamento de produção, a reestruturação produtiva em geral colocam novos desafios à frente dos trabalhadores. Abordar essas novas realidades com métodos novos não significa abrir mão da defesa da liberdade, autonomia e unidade sindical.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia Nacional do Samba

O Dia Nacional do Samba é comemorado no dia 2 de Dezembro. Diversos eventos são realizados para celebrar a data. Para contrariar Vinícius de Moraes e sua tese segundo a qual "São Paulo é o túmulo do samba", homenageio um baluarte do samba paulista.

Geraldo Filme (1928-1995) passou por algumas escolas de samba paulista, mas foi na tradicional Escola de Samba Vai-Vai que marcou sua presença. Um dos seus sambas mais lembrados é "Silêncio no Bexiga", homenagem póstuma a Pato n'Água, mestre de bateria da Vai-Vai. Eis a letra:

"Silêncio o sambista está dormindo


Ele foi mas foi sorrindo


A notícia chegou quando anoiteceu


Escolas eu peço o silêncio de um minuto


O Bexiga está de luto


O apito de Pato n'Água emudeceu


Partiu não tem placa de bronze não fica na história


Sambista de rua morre sem glória


Depois de tanta alegria que ele nos deu


Assim, um fato repete de novo


Sambista de rua, artista do povo


E é mais um que foi sem dizer adeus."

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A "esquerda" que a direita gosta

A expressão acima é da lavra de Leonel Brizola, mostrando que  certos segmentos ditos de esquerda, por ingenuidade (às vezes) ou má-fé (quase sempre) defendem posições políticas que a direita teria pouca ou nenhuma credibilidade para defender.

Esse expediente astucioso é muito usado pela grande mídia. Para dar ares de legitimidade para  suas posições conservadoras, não se peja de reverberar opiniões de esquerdistas de fachada.  É assim nos movimentos sociais, nos meios acadêmicos e artísticos, nos parlamentos, nos governos, em todas as esferas da luta política e ideológica.

Só nestas últimas semanas, o presidente da República já foi chamado de analfabeto, medíocre, devasso, conivente com tudo o que de ruim se produz, se faz, se fala ou se pensa no Brasil. A se dar crédito a esses críticos pescadores de águas turvas, parece que a única saída seria sair do Brasil ou chafurdar no lodaçal.

O pior é que tudo isso é o começo da batalha sucessória de 2010. Divididos e sem candidato definido, sem projeto, despecando nas pesquisas e vendo a viola em cacos em seu próprio terreno, as elites conservadoras e seus acólitos partem para o desespero, usam as armas mais torpes e fazem da vilania prática habitual da disputa política.

Para quem embarca na canoa furada do conservadorismo não se admite a presunção de inocência nem o benefício da dúvida. A polarização está estabelecida e só não a vê quem não quer.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os números da Previdência

Dados de setembro de 2009 do INSS  apontam que o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e a Assistência Social somam 26.805.413 benefícios, com um dispêndio mensal de R$ 18,3 bilhões.  Esses números  mostram a imensa relevância da Previdência Social.

O piso previdenciário é equivalente a um  salário mínimo, hoje em R$ 465,00. A política de valorização do salário mínimo, portanto, incide positiva e automaticamente no reajuste das aposentadorias e pensões de 18,5 milhões de beneficiários que ganham até um salário  mínimo.

Na faixa até três pisos previdenciários (= 3 salários mínimos), encontram-se noventa por cento dos benefícios da Previdência Social e 72% do montante dos benefícios pagos. Esses números mostram que a justiça previdenciária precisa incorporar duas questões fundamentais: fórmula de cálculo da aposentadoria sem redutores e política permanente de manutenção e ampliação do seu valor real.

Salário Mínimo e Aposentadoria

Uma das maiores conquistas dos trabalhadores no governo Lula, fruto da mobilização unitária das centrais sindicais, foi a conquista de uma política de valorização permanente do salário mínimo. A proposta em vigor é de que até 2023 o salário mínimo seja reajustado com base no INPC do ano anterior mais o PIB de dois anos anteriores.

Em 2009, segundo o Dieese, 43,4 milhões de trabalhadores, empregados domésticos e beneficiários da Previdência Social foram diretamente atingidos por essa política, talvez a mais ampla e consistente do ponto de vista da distribuição de renda.

De 2003, início do governo Lula,  a 2009, o salário mínimo teve um aumento nominal de 132,50% e aumento real (descontada a inflação) de 44,95%. Isso provoca um impacto positivo na economia, com o fortalecimento do mercado interno. O aumento do salário mínimo este ano injetou R$ 27,8 bilhões na economia e propiciou um acréscimo na arrecadação tributária de R$ 6,8 bilhões.

A manutenção dessa política jogou papel importante para diminuir os efeitos negativos da crise no Brasil. Transformar essa medida em lei, independentemente dos governos, é uma prioridade essencial para o movimento sindical. Significa traduzir em política de estado um instrumento distributivista.

Tudo isso ajuda e não prejudica a luta dos representantes  dos aposentados para incorporar ganhos reais às aposentadorias superiores a um salário mínimo. Ao lado das centrais, a representação dos aposentados defende o fim do fator previdenciário, da idade mínima para concessão de aposentadorias e contra a chamada média curta para cáulculo da aposentadoria.

Depois de alguns ruídos no encaminhamento dessa matéria, nesta segunda-feira, dia 23, na sede da CTB, as centrais sindicais, a COBAP e o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical superaram suas diferenças e chegaram a um consenso para encaminhar a luta pela aprovação de projetos de interesse dos trabalhadores  no Congresso Nacional. A parte mais complexa do acordo é a busca de uma alternativa para o fator previdenciário.

Seja como for, a unidade das centrais  respalda a ação dos partidos da base do governo Lula para a aprovação de um conjunto de propostas que garantam avanços para os trabalhadores e os aposentados.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Proseando em BH

Nesta quinta-feira, dia 19, participo de seminário e posse da CTB/MG. Durante o dia debates - eu já falei sobre conjuntura e perspectivas para os trabalhadores, à tarde assistirei ao debate sobre organização da CTB em Minas. À noite, posse e coquetel da nova direção, presidida pelo presidente do Sinpro, Gílson Reis.

Pisando o solo mineiro, não há como não comentar o encontro Aécio e Ciro. Para alguns, é pura marola, Aécio já teria se  definido pela candidatura ao Senado, quer eleger o governador e deixar o povo mineiro livre para escolher o presidente, algo como cristianizar o governador paulista. Se isso acontecer, bom para o nosso campo. Aguardemos...

Cheguei à BH na quarta-feira, à noite. Jantei em um boteco e de lá assisti o vexame do Palmeiras em Porto Alegre. Para falar a verdade, nunca vi uma decadência tão grande de um time tido como grande. De quase campeão por antecipação, o time "deles" desce ladeira abaixo, despencando em um poço que só parece terminar com o fim do campeonato. 

Nesta altura do campeonato,  esgotadas outras opções, só nos resta cantar:  "uma vez Flamengo, Flamengo até morrer...".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ciro & Aécio

Dilma deve ser a candidata de Lula e Marina a do PV. O PSDB está dividido entre Serra e Aécio. Pelo andar da carruagem, a briga no poleiro dos tucanos terá um indigesto efeito colateral: o derrotado fará corpo mole na campanha do vitorioso.

As incursões de Ciro no ninho mineiro dos tucanos podem ter diversas motivações: inflar o balão de Aécio contra Serra, lutar por uma vaga de vice na chapa do Aécio, defenestrando os Democratas  (já que na de Dilma o PMDB já encaçapou) ou, last but not least, criar marola no arraial dos inimigos para ajudar a base aliada.

Como lembrava um pichador: tudo pode acontecer, inclusive nada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

www.vermelho.org.br/blogs/nivaldosantana (novo blog)

Aviso aos navegantes: criei um novo blog,  hospedado na página http://www.vermelho.org.br/. Como é difícil manter dois blogs simultaneamente, convido-os a visitar a página do vermelho (endereço acima) ou 'linkar" diretamente no novo endereço do blog:  www.vermelho.org.br/blogs/nivaldosantana.
Obrigado!

Boa semana para a CTB

Depois da vitoriosa realização do seu II Congresso, a CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - teve destacada participação na 6ª Marcha da Classe Trabalhadora e em outros eventos paralelos.

A 6ª Marcha reuniu cerca de 50 mil trabalhadores e colocou no topo da agenda a luta pela aprovação da emenda constitucional que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas. Na semana da Marcha, a CTB e as outras centrais sindicais se reuniram com diversos ministros para debater agenda de interesse dos trabalhadores.

Com o ministro do Meio Ambiente,  discutiu-se temas vinculados às licenças ambientais e a participação dos trabalhadores em questões ligadas àquele ministério. Com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi discutida a pauta da 6ª Marcha, as controvérsias do sindicalismo brasileiro com setores do Ministério Público do Trabalho e a retomada das discussões sobre a terceirização.

Por último e mais importante, o presidente Lula recebeu os presidentes das centrais sindicais para continuar o debate a respeito da redução da jornada de trabalho, reajuste do salário mínimo e dos aposentados e matérias correlatas.

Tudo somado, comprova-se que a CTB hoje é uma central reconhecida e respeitada, ocupa papel progressivo na luta dos trabalhadores e consegue firmar com maior nitidez suas bandeiras classistas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Economia e política

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avalia que o PIB brasileiro crescerá entre 8% a 10% (anualizado) no terceiro trimestre de 2009. No trimestre anterior o crescimento foi de 7,8%. Esse PIB "chinês", associado a um saldo positivo de um milhão de empregos no mercado de trabalho formal brasileiro, aponta para um quadro de superação da crise no país, o que, obviamente, terá consequências políticas.

Em meio a esse quadro positivo, nesta quarta-feira as centrais sindicais brasileiras realizam sua sexta marcha em Brasília, que tem como tema central a luta pela aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Reduzir a jornada significa criar mais empregos e melhorar a qualidade de vida do trabalhador, que terá mais tempo para o estudo, a cultura, o lazer e a conviência familiar.

O novo projeto nacional de desenvolvimento requerido para o país precisa ter como uma âncora essencial o progresso social, com mais e melhores empregos, aumento real dos salários e ampliação dos direitos sociais dos trabalhadores. Essa luta está intimamente ligada aos desdobramentos da sucessão presidencial de 2010.  Eleger governantes que deem continuidade e aprofundem o ciclo progressista inaugurado pelo governo Lula é tarefa central para os trabalhadores.

É muito melhor fazer sindicalismo com economia bombando e governos progressistas.

Serra ou Aécio?

Na Bolsa de Valores dos tucanos, a balança  parece pender para o governador mineiro. A entrevista do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, dizendo que Aécio amplia mais do que Serra, parece uma senha segundo a qual os tucanos, frente às dificuldades eleitorais para 2010, começam a dar visibilidade a um plano B. Os jornalões de São Paulo, nos últimos dias, passam a tratar com mais simpatia o governador de Minas. E Serra bebe água de canudinho, com o dilema hamletiano de ser ou não ser candidato.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Berliner Mauer e Wall Street

Depois do fim da II Guerra Mundial (1945), o mundo entrou em uma bipolarização envolvendo dois blocos: um liderado pelos EUA e outro pela antiga União Soviética.  Esse período histórico duraria cerca de 44 anos.

No imediato pós-guerra os EUA lançaram uma ofensiva contra os países socialistas. Dois exemplos: a Doutrina Truman, a cruzada anticomunista do então presidente americano Harry Truman e o Plano Marshahl, do secretário de Estado George Marshahl, destinado a recuperar a destroçada Europa Ocidental.

Em resposta, a União Soviética criou o Kominform, articulação dos partidos comunistas, e o Comecon, integração econômica dos países socialistas do Leste Europeu. No plano militar os EUA constituíram a OTAN (1949) e os soviéticos o Pacto de Varsóvia (1955).

O símbolo mais visível da bipolarização foi o Muro de Berlin (Berliner Mauer, em alemão), construído em agosto de 1961 e que separava fisicamente a República Democrática Alemã (oriental) da República Federal da Alemanha (ocidental).

Alguns historiadores e analistas consideram que o fim da guerra fria e o início da hegemonia unipolar dos EUA tem como data emblemática a queda do Muro de Berlin, ocorrida em 9 de novembro de 1989.

Nesse período, praticamente todos os países tidos como socialistas do Leste Europeu desabaram. Francis Fukuyama, ideólogo do imperialismo americano, chegou a profetizar o fim da história. Era a Nova Ordem Mundial, proclamava Bush pai.

Pela lógica do pensamento imperialista, o capitalismo derrotara definitivamente o socialismo, a "democracia" liberal era o ápice da evolução da humanidade e o mundo iria ingressar num período de paz, prosperidade e felicidade.

Vinte anos depois, a reviravolta! Ironicamente, fala-se agora na queda de outro muro, desta vez a "Wall Street", a famosa rua localizada na ilha de Manhattan, distrito financeiro de Nova Iorque e sede da Bolsa de Valores dos EUA.

A monumental crise que sacudiu o coração do capitalismo, a partir dos EUA, e outros acontecimentos políticos relevantes, parecem também apontar para o fim da hegemonia unipolar dos EUA e o início de uma nova arquitetura de forças no mundo, resumidamente denominada de mundo multipolar.

Na esteira da atual crise, onde trilhões de capital foram queimados, a hegemonia do mundo se desloca progressivamente do Ocidente para o Oriente. A disputa mundial é compartilhada pelos EUA (ainda os mais poderosos), a China, cada vez mais forte,  a Europa, o Japão e até mesmo países como o Brasil, a Índia, a Rússia e a África do Sul.

Hoje quem parece morimbundo é o capitalismo. Ressurge com força a ideia do socialismo renovado, adaptado às particularidades de cada país. A presente crise é um golpe demolidor no neoliberalismo, a versão atual do capitalismo.

As profecias de Fukuyama foram parar na lata do lixo e os livros de Marx são procurados com avidez. Estão em gestação processos políticos, econômicos e sociais que podem fazer a roda da história andar para a frente. 

C'est la vie...

sábado, 31 de outubro de 2009

2010: Lula x FHC

A sucessão presidencial de 2010 caminha para a polarização de dois projetos distintos para o país. Um deles é liderado pelo presidente Lula, o outro pelas viúvas de FHC. Esse é o fio condutor que deve orientar os partidos políticos nas eleições gerais de 2010.

PSDB, DEM ePPS compõem a oposição. Oposição sem programa, sem propostas e, até agora, sem candidato. Serra e Aécio não falam a mesma língua e empurram com a barriga a hora da decisão. Como a natureza e a política tem horror ao vácuo, o prolongamento da indefinição da campo conservador favorece o campo governista.

Serra tem dificuldades em administrar todas as contradições: disputa nacional com Aécio, diferenças em São Paulo com Alckmin e um governo Lula que parece Midas, onde toca tudo vira ouro.

Aécio tem problemas de outra natureza. Não está bem posicionado nas pesquisas e não tem respaldo dos tucanos de alta plumagem. Sua cotação subiu com o apoio de parte do DEM e pela alegada capacidade de agregar mais força do que seu rival paulista. Mas o senado parece ser o atalho político com que ele trabalha.

Na outra ponta, a candidatura  Dilma vai bem, obrigado. Ainda que as alianças só se concretizem efetivamente o ano que vem, é forte  a tendência para que a base de apoio do governo Lula marche unida nas eleições.

Para isso, o PT, partido do presidente Lula e da provável candidata Dilma, avança para tomar decisões corretas. Prioriza a sucessão presidencial, o aumento da bancada no Congresso e abre espaço para apoiar candidatos de outros partidos nas eleições para o governo do Estado, principalmente nos maiores colégios eleitorais (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais).

Todas as eleições presidenciais no Brasil são difíceis e muito disputadas. Esta não fugirá a regra. Mas são amplas as possibilidades de vitória do bloco de forças progressistas. O triunfo eleitoral em 2010 será um importante estímulo para a continuidade e aprofundamento das mudanças em curso no Brasil e na América Latina.

O avião, a floresta e os índios

Um avião monomotor cai em plena Floresta Amazônica e dos onze tripulantes e passageiros pelo menos nove se salvam. Os sobreviventes foram encontrados por indígenas da tribo Matis, que estavam caçando na região. Por rádio, os índios avisaram as autoridades sobre o acidente e vinte e quatro horas depois todos foram resgatados sãos e salvos.

Tudo isso ocorreu esta semana. Se fosse filme, jamais seria tratado como documentário. Seria  ficção, filme de aventura ou de terror. Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Venezuela no Mercosul

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira, por 12 a 5, o ingresso da Venezuela ao Mercosul. Essa decisão é muito importante para o Brasil e para a região. Com a Venezuela, o Mercosul soma uma população de 250 milhões de pessoas e um PIB de um trilhão de dólares.

O Mercosul, organizado desde 1991, é constituído pela República Argentina, República Federativa do Brasil, República do Paraguai e República Oriental do Uruguai, os chamados Estados Partes.

Os Estados associados são Bolívia, Chile, Peru, Equador e Colômbia. O fortalecimento do Mercosul é uma resposta no sentido contrário à NAFTA e aos tratados de livre comércio (TLC) bilaterais que os EUA procuram impor à região.

Os senadores que se opunham a essa decisão contrariavam os interesses do Brasil e da integração latino-americana, um dos objetivos estratégicos do país. A República Bolivariana da Venezuela, presidida por Hugo Chávez, deslocou o eixo de sua economia do norte para o sul, e isso só traz vantagens para o Brasil e para o Mercosul.

Alguns números: o saldo comercial do Brasil com a Venezuela é de 4,6 bilhões de dólares, enquanto com os EUA é de apenas 1,6 bilhão de dólares. Além disso, empresas brasileiras tem grandes negócios no vizinho país.

A Odebrecht tem contratos de 10 bilhões de dólares para a construção de 80 km do metrô de Caracas, ponte sobre o Rio Orinoco e outras obras. A Camargo Corrêa tem negócios de um bilhão de dólares, a Andrade Gutierrez de 4 bilhões de dólares, a Brasken de 1,5 bilhão de dólares e a Gerdau de 92 milhões de dólares.

Além disso, a Venezuela tem um Fundo Nacional de Desenvolvimento de 17 bilhões de dólares. Hisotricamente, os principais parceiros comerciais da Venezuela tem sido os EUA e a Colômbia. Agora, pode vir a ser o Mercosul, principalmente depois da saída desse país do Pacto Andino.

A Venezuela importa 70% de tudo o que consome e sua fonte essencial de renda é o petróleo. O país tem a sexta reserva certificada de petróleo do mundo, com 80 bilhões de barris, e estima-se que tenha mais 236 bilhões de barris na região do Rio Orinoco.

O ingresso da Venezuela no Mercosul é estratégica para a região, em todos os sentidos. Os argumentos políticos contra o governo Hugo Chávez não se sustentam. O país defende uma solução política para a crise da Colômbia porque, entre outras coisas, há dois milhões de colombianos morando na Venezuela e a opção militar unilateral do governo Uribe contra as FARC gera tensões internas.

Em matéria de democracia, Hugo Chávez realizou doze eleições desde 1998 e só perdeu uma. E a oposição, ao contrário do que se insinua, não só tem atuação legal como dirige cidades importantes, como a capital Caracas.

O posicionamento de Chávez contrário às bases militares na Colômbia e a reativação da Quarta Frota dos EUA, uma clara ameaça à soberania dos países da região, é compartilhado por todos os países do Mercosul. 

A luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento do Brasil tem na integração latino-americano um dos seus pilares essenciais. A entrada da Venezuela no Mercosul joga água nesse moinho.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Cheirinho de alecrim"

25 de abril de 1974, data da Revolução dos Cravos emcravo Portugal, foi celebrada por Chico Buarque com a música "Tanto Mar". O mar, na simbologia da música, separava geográfica e politicamente o nosso país  de Portugal.

Lá, eles celebravam a derrubada da ditadura. Aqui nós amarguraríamos mais uma década de regime militar. O cheirinho de alecrim da música era o aroma da liberdade. Talvez o nosso poeta tenha dito alecrim, e não cravo, para driblar a censura da época. Talvez.

Mas os anos passam e o cheiro de alecrim, agora, domina o ambiente de nuestra America. E a turma d'além mar experimenta uma onda conservadora.

 Talvez valha lembrar um trecho de uma das versões da música: "Já murcharam tua festa, pá / Mas certamente / Esqueceram uma semente / Nalgum canto de jardim".

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Frente Ampla firme e forte no Uruguai!

A República Oriental do Uruguai é um país de 3,4 milhões de habitantes, formado basicamente a partir de imigrantes italianos e espanhois. Pelo bom padrão de vida que já teve, chegou a ser apelidada de a "Suiça da América".

O Uruguai foi protagonista da maior derrota da história do futebol brasileiro, ao vencer a seleção canarinho na final da Copa do Mundo em 1950, em pleno Maracanã, diante de 200 mil torcedores estupefatos.

Durante um bom período, eu me lembro bem disso, derrotar o Uruguai era questão de honra para os brasileiros, rivalidade esportiva praticamente igual a existente contra a Argentina. Hoje o Uruguai perdeu força no futebol e a rivalidade é bem menor.

Pero, nuestros hermanos, como a maioria dos países da América Latina,  também derrotaram  o conservadorismo neoliberal, representado naquele país pelos Colorados e pelos Blancos. Há cinco anos a Frente Ampla venceu as eleições e dirige o país com Tabaré Vasquez, ampoiando o leque de governos progressistas na região.

Nunca antes na história do nosso continente tantos fatores positivos se juntaram. Governos progressistas, integração e por aí vai. As Veias Abertas da América Latina, do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, parecem que sangram menos na atualidade.

Aqui no nosso Continente, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Europa, a esquerda, as forças democráticas e nacionalistas ganham força. Por isso a importância de cada disputa política, seja o repúdio ao golpe hondurenho ainda inconcluso, seja pela expectativa de manutenção da Frente Ampla (FA) do uruguai dirigindo o país irmão.

Neste domingo a Frente  Ampla  quase fatura a eleição no primeiro turno. Segundo projeções, a FA obteve 49,18% dos votos válidos. Com isso, José Mujica irá ao segundo turno contra o candidato conservador.

No Senado, a Frente Ampla conquistou a metade das cadeiras, perdendo uma vaga em relação à eleição passada. Ocorre que a legislação uruguaia prevê que o vice-presidente eleito ocupa a presidência do Senado. Com isso a Frente Ampla passa a ter maioria absoluta na Câmara Alta com a provável vitória no segundo turno.

Na Câmara Federal, com 99 cadeiras, a Frente Ampla deve eleger 50 deputados, o que lhe dá maioria absoluta. Sob qualquer ponto de vista, foi um resultado eleitoral positivo, demonstra a consolidação de um projeto político apoiado pela maioria dos uruguaios.

A direção e a militância da Frente Ampla, no entanto, achavam que podiam liquidar a fatura no primeiro turno, da mesma forma que nas últimas eleições presidenciais brasileiras antecipava-se uma vitória do Lula e a disputa foi para o segundo turno.

A Frente Ampla é favorita no segundo turno, mas enfrentará uma oposição conservadora unida. Como no futebol, eleição é uma caixinha de surpresas, daí um certo regozijo da direita uruguaia pela nova disputa, em novembro .

Vamos lutar pela vitória da Frente Ampla e manter a rota progressista de Nuestra America!

uruguai

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

JUROS: 8,75!

Quem conhece as seguintes pessoas: Alexandre Antonio Tombini, Alvir Alberto Hoffmann, Antero de Moraes Meirelles, Antonio Gustavo Matos do Vale, Maria Celina B. Arraes, Mario Gomes Torós, Mário Magalhães Carvalho Mesquita?

Provavelmente ninguém conhece essas ilustres figuras, mas elas são muito importantes. Dirigidas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, elas compõem o COPOM – Comitê de Política Monetária, essa poderosa instituição que, entre outras atribuições, define a taxa básica de juros do Brasil.

Na reunião desta quarta-feira, por exemplo, esse seleto grupo aprovou, pela terceira vez consecutiva, a manutenção da taxa de juros em 8,75%. O COPOM surgiu em junho de 1996 e tem como papel estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

Ao contrário do que prega os rentistas e a mídia, a decisão não é técnica, é política. O COPOM premia alguns e pune outros com suas decisões. Não existe uma única política monetária. A turma das finanças defende que o centro da política monetária deva ser a estabilidade dos preços, enquanto outros economistas, para citar os de linhagem keynesiana, consideram que o objetivo da política monetária deva ser o nível de emprego.

A luta pelo pleno emprego, por exemplo, reclama taxas de juros bem menores do que aquelas praticadas pelo Brasil. O custo menor do dinheiro é um forte estímulo para o crescimento da economia, medida indispensável para se gerar mais empregos.

Ocorre que a política monetária brasileira é ditada por um decreto. Isso mesmo, o decreto 3088, de 21 de junho de 1999, assinado por Fernando Henrique e Pedro Malan, “estabelece como diretriz para a fixação do regime de política monetária a sistema de ‘metas de inflação’“.

Como esse decreto define as regras do jogo da política monetária e ainda permanece em vigor, é de se perguntar se já não passou da hora de: 1) sustar esse decreto e atualizar a política monetária, incorporando novas variáveis como crescimento econõmico e a geração de empregos? 2) ampliar a composição do COPOM, para torná-lo mais representativo dos diferentes setores econômicos e sociais? 3) diminuir a periodicidade das reuniões, hoje espaçadas em 45 dias uma da outra?

Perguntar não ofende…

Juros: 8,75%!

Quem conhece as seguintes pessoas: Alexandre Antonio Tombini, Alvir Alberto Hoffmann, Antero de Moraes Meirelles, Antonio Gustavo Matos do Vale, Maria Celina B. Arraes, Mario Gomes Torós, Mário Magalhães Carvalho Mesquita?

Provavelmente  ninguém conhece essas ilustres figuras, mas elas são muito importantes. Dirigidas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, elas compõem o COPOM - Comitê de Política Monetária, essa poderosa instituição que, entre outras atribuições,  define a taxa básica de juros do Brasil.

Na reunião desta quarta-feira, por exemplo, esse seleto grupo aprovou, pela terceira vez consecutiva, a manutenção da taxa de juros em 8,75%. O COPOM surgiu em junho de 1996 e tem como papel estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

Ao contrário do que prega os rentistas e a mídia, a decisão não é técnica, é política. O  COPOM premia alguns e pune outros com suas decisões. Não existe uma única política monetária. A turma das finanças defende que o centro da política monetária deva ser a estabilidade dos preços, enquanto outros economistas, para citar os de linhagem keynesiana, consideram que o objetivo da política monetária deva ser o nível de emprego.

A luta pelo pleno emprego, por exemplo, reclama taxas de juros bem menores do que aquelas praticadas pelo Brasil. O custo menor do dinheiro é um forte estímulo para o crescimento da economia, medida indispensável para se gerar mais empregos.

Ocorre que a política monetária brasileira é ditada por um decreto. Isso mesmo, o decreto 3088, de 21 de junho de 1999, assinado por Fernando Henrique e Pedro Malan, "estabelece como diretriz para a fixação do regime de política monetária a sistemática de 'metas de inflação'".

Como esse decreto define as regras do jogo da política monetária e ainda permanece em vigor,  é de se perguntar se já não passou da hora de: 1) sustar esse  decreto e atualizar a política monetária, incorporando novas variáveis como crescimento econõmico e a geração de empregos? 2) ampliar a composição do COPOM,  para torná-lo mais representativo dos diferentes setores econômicos e sociais? 3) diminuir a periodicidade das reuniões, hoje espaçadas em 45 dias uma da outra?

Perguntar não ofende...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ronaldo


Ronaldo Fenômeno anuncia que vai encerrar a carreira no Corinthians e, mais do que isso, diz que seus vínculos com o Poderoso Timão serão eternos.

Ronaldo reencontrou o prazer de jogar futebol no Timão. Em pouco tempo, sua presença em campo fez a diferença, levando a Fiel a comemorar dois títulos seguidos.

No ano do centenário do Timão, a notícia de que Ronaldo vai ficar é o primeiro e grande presente que a toda a torcida esperava. Mais títulos à vista!!!

domingo, 18 de outubro de 2009

Vinho

Há três parâmetros para se avaliar os vinhos: 1)quanto à classe; 2) quanto à cor; 3) quanto ao teor de açúcar.

1)Classe - vinho de mesa (10º a 13º GL), leve (7º a 9,9º GL), Champanha (espumante, 10º a 13º GL), licoroso (doce ou seco, 14º a 18º GL), composto (15º a 18º GL - vinho + macerados* ou concentrados)

2) Cor: tinto, rosado, branco

c) Teor de açucar: seco até 5 g de açucar por litro, meio-doce de 5 a 20 g/l, suave mais de 20 g/l.


O essencial na qualidade do vinho é sua matéria-prima básica, a uva. Uvas viníferas nobres (para vinhos tintos) são: cabernet sauvignon (a mais clássica), cabernet franc, merlot, pinot noir, gamcy. A cor da pele da uva é que determina o vinho tinto.

A rainha das uvas é a Cabernet Sauvignon. Originária de Bordeaux, na França, se espalhou pelo mundo e é a mais produzida. Combina com carnes vermelhas, strogonoff e carne de qualidade. Admite pimenta suave nos pratos.

*Macerados: a pele da uva + o mosto (sumo da uva) no processo de fermentação.

sábado, 17 de outubro de 2009

Maria de Medeiros


Maria de Medeiros é a mais consagrada atriz portuguesa contemporânea. Do teatro e do cinema, e também cantora, é uma mulher de 44 anos culta - é fluente em seis idiomas - viveu na Áustria, voltou a Portugal depois a Revolução de 25 de abril e atualmente mora em Paris.
É uma apaixonada pela música brasileira. Vejam o que ela fala: "faço parte de uma geração de portugueses que não só foi embalada pela música brasileira, mas verdadeiramente formada por artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil. Quando os meus amigos e eu éramos adolescentes em Lisboa, estávamos ainda em época de revolução ...enquanto vivíamos em liberdade, eles estavam em plena ditadura. Foram censurados, perseguidos, exilados. Os seus textos, muito comprometidos, eram mensagens codificadas que sabíamos decifrar, recados cheios de esperança, inteligência e coragem. É o caso de muitas canções de Chico Buarque, admiráveis pelo gênio poético e pelo espírito de resistência.
...Estas composições brasileiras são igualmente patrimõnio mundial."
Sobre a música Que Fazer, essa admirável portuguesa proclama: "Que Será é provavelmente a mais famosa das canções de Chico Buarque...Foi uma revelação que uma canção pudesse transmitir uma mensagem tão potente, tão pertubadora, intrigante. O tempo não passa sobre esse poema.. nesta canção de resistência, complexo, subversiva, angustiada e visionária.
Procurem no "youtube" músicas e trechos de filmes da grande Maria de Medeiros. Será um passeio inesquecível, principalmente aquela música do Chico em homenagem à Revolução dos Cravos - Tanto Mar.

Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

China, 60 anos de socialismo

A China tem mais de 1,3 bilhão de habitantes, distribuídos em 56 etnias (92% são Ham e as outras 55 somam 8% da população). Além da língua chinesa, majoritária, 53 etnias falam línguas próprias.No país há 100 milhões de pessoas que seguem o budismo, o taoismo, o islamismo, o catolicismo e o protestantismo.

Conhecer mais e melhor esse gigante asiático é questão da mais alta atualidade. O centro de gravidade do mundo se desloca do ocidente para o oriente. Nessa região o socialismo sobreviveu, ao contrário do que ocorreu na Europa. É bom, portanto, estudar experiências vitoriosas de construção do socialismo.

O país é dirigido pelo Partido Comunista da China, mas no país há outros oito partidos políticos, todos legais e reconhecidos, que ocupam espaços nos órgãos de poder. A Nova China celebra os 60 anos de socialismo com entusiasmo.

Para o PCCh, há três gerações de comunistas no país. A primeira é a de Mao Tse Tung, que dirigiu a revolução e lançou as bases do socialismo chinês (1949/1976). Seu pensamento é considerado uma das vertentes teóricas do partido, embora haja uma profunda crítica aos efeitos negativos da Revolução Culturlal.

A segunda geração é a de Deng Xiaoping, que dirigiu o país de 1976 a 1992, promotor das reformas, da estabilidade e do desenvolvimento chinês. É considerado o pai da China contemporânea. Suas divisas eram emancipar o espírito e procurar a verdade nos fatos.

Desenvolveu a teoria do socialismo de caráter chinês, apoiado no desenvolvimento econômico, na reforma e na abertura. É de sua lavra o conceito de economia socialista de mercado. Lançou a consigna de “um país, dois sistemas” para incorporar ao estado chinês Hong Kong e Macau e advogou a tese da supremacia do poder político sobre a economia.

Em seu governo, lançou as quatro modernizações para a China: 1) agricultura; 2) indústria e comércio; 3) ciência e tecnologia; 4) área militar. Com a abertura da economia e a importação de capitais, equipamentos e know-how estrangeiros, a China experimenta um grande crescimento econômico e desenvolvimento social.

A terceira geração é a de Jiang Zemin (governou a China de 1993 a 2003), que lançou a teoria do partido da tríplice representatividade: 1) desenvolver as forças produtivas avançadas; 2) avançar na cultura de vanguarda; 3) garantir os interesses fundamentais do povo.

A liderança chinesa considera que o Partido Comunista da China se apoia em um sistema de teorias cujas fontes são: a) marxismo, b) leninismo, c) pensamento Mao Tse Tung, 4) Teoria Deng Xiaoping e 5) teoria da tríplice representatividade.

A partir de março de 2003 a China é comandada por Hu Jintao. No 16º Congresso do PCCh, realizado em 2007, Hu Jintao reafirmou o caminho da reforma e abertura, da economia socialista de mercado, da perspectiva científica do desenvolvimento, na harmonia social e na luta para que em 2020 a China construa uma sociedade modestamente próspera.

Desde 1978, início da reforma, a China vem crescendo em média 9% ao ano. Nesse período, o gigante chinês se tornou um dos maiores países do mundo. Um exemplo emblemático: os pobres das zonas rurais diminuíram de 250 milhões para 20 milhões.

Mas nem tudo são flores. Os chineses estão preocupados com os problemas ambientais provocados pelo crescimento, com os desequilíbrios entre as áreas urbanas e rurais, entre as regiões e entre a economia e a sociedade.

Consideram que é difícil conseguir o crescimento regular da agricultura e o aumento do rendimento dos agricultores. Criticam também a corrupção, o burocratismo e o esbanjamento e outros problemas sociais na área de segurança, educação e saúde.

A vitalidade econômica da China passou pelo teste da grave crise econômica do capitalismo. Mesmo afetada pelo tsunami econômico, a China continuou crescendo, despontando como uma grande potência mundial. Com o declínio progressivo dos EUA, a China pode ser a bola da vez do século XXI.

China, 60 anos de socialismo

A China tem mais de 1,3 bilhão de habitantes, distribuídos em 56 etnias (92% são Ham e as outras 55 somam 8% da população). Além da língua chinesa, majoritária,  53 etnias falam  línguas próprias.No país há 100 milhões de pessoas que seguem o budismo, o taoismo, o islamismo, o catolicismo e o protestantismo.

 Conhecer mais e melhor esse gigante asiático é questão da mais alta atualidade. O centro de gravidade do mundo se desloca do ocidente para o oriente. Nessa região o socialismo sobreviveu, ao contrário do que ocorreu na Europa. É bom, portanto, estudar experiências vitoriosas de construção do socialismo.

O país é dirigido pelo Partido Comunista da China, mas no país há outros oito partidos políticos, todos legais e reconhecidos, que ocupam espaços nos órgãos de poder. A Nova China celebra os  60 anos de socialismo com entusiasmo.

Para o PCCh, há três gerações de comunistas no país. A primeira é a de Mao Tse Tung, que dirigiu a revolução e lançou as bases do socialismo chinês (1949/1976). Seu pensamento é considerado uma das vertentes teóricas do partido, embora haja uma profunda crítica aos efeitos negativos da  Revolução Culturlal.

A segunda geração é a de Deng Xiaoping, que dirigiu o país de 1976 a 1992, promotor das reformas, da estabilidade e do desenvolvimento chinês.  É considerado o pai da China contemporânea. Suas divisas eram emancipar o espírito e procurar a verdade nos fatos.

Desenvolveu a teoria do socialismo de caráter chinês, apoiado no desenvolvimento econômico, na reforma e na abertura. É de sua lavra o conceito de economia socialista de mercado. Lançou a consigna de "um país, dois sistemas" para incorporar ao estado chinês Hong Kong e Macau e advogou a tese da supremacia do poder político sobre a economia.

Em seu governo, lançou as quatro modernizações para a China: 1) agricultura; 2) indústria e comércio; 3) ciência e tecnologia; 4) área militar. Com a abertura da economia e a importação de capitais, equipamentos e know-how estrangeiros, a China experimenta um grande crescimento econômico e desenvolvimento social.

A terceira geração é a de Jiang Zemin (governou a China de 1993 a 2003), que lançou a teoria do partido da tríplice representatividade: 1) desenvolver as forças produtivas avançadas; 2) avançar na cultura de vanguarda; 3) garantir os interesses fundamentais do povo.

A liderança chinesa considera que o Partido Comunista da China se apoia em um sistema de teorias cujas fontes são:  a) marxismo, b) leninismo, c) pensamento Mao Tse Tung, 4) Teoria Deng Xiaoping e 5) teoria da tríplice representatividade. 

A partir de março de 2003 a China é comandada por Hu Jintao. No 16º Congresso do PCCh, realizado em 2007,  Hu Jintao reafirmou o caminho da reforma e abertura, da economia socialista de mercado,  da perspectiva científica do desenvolvimento, na harmonia social e na luta para que em 2020 a China construa uma sociedade modestamente próspera. 

Desde 1978, início da reforma,  a China vem crescendo em média 9% ao ano. Nesse período, o gigante chinês se tornou um dos maiores países do mundo. Um exemplo emblemático: os pobres das zonas rurais diminuíram de 250 milhões para 20 milhões.

Mas nem tudo são flores. Os chineses estão preocupados com os problemas ambientais provocados pelo crescimento, com os desequilíbrios entre as áreas urbanas e  rurais, entre as regiões e entre a economia e a sociedade.

Consideram que é difícil conseguir o crescimento regular da agricultura e o aumento do rendimento dos agricultores. Criticam também a corrupção, o burocratismo e o esbanjamento e outros problemas sociais na área de segurança, educação e saúde.

A vitalidade econômica da China passou pelo teste da grave crise econômica do capitalismo. Mesmo afetada pelo tsunami econômico, a China continuou crescendo, despontando como uma grande potência mundial. Com o declínio progressivo dos EUA, a China pode ser a bola da vez do século XXI.

Tucanos põem as penas de molho

Não reina paz no poleiro dos tucanos. Em plano nacional, o pré-candidato Serra enfrenta duas turbulências:  1) ele e Aécio não se bicam bem;  2) a maioria dos  democratas prefere o governador mineiro como candidato a presidente.

Os tucanos, que segundo o Aurélio "alimentam-se de pequenos frutos, e não raro pilham ninhos de outras aves", também não entoam a mesma cantiga na gaiola paulista. Serra até agora não sabe quem apoia para o governo paulista: ou o seu  desafeto Geraldo Alckmin ou o  seu candidato in pectore, o secretário da Casa  Civil Aloysio Nunes.

Há quem acredite que ele pode até se candidatar a reeleição. A errática revoada dos tucanos rumo a 2010 tem produzido mais calor do que luz.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fernanda Montenegro, 80!!!

fmontenegroFernanda Montenegro, por muitos considerada a maior atriz brasileira de todos os tempos, completa hoje 80 anos de idade.

Em sua formidável carreira artística, consta cem peças de teatros, dez novelas, vinte filmes. Uma das raras unanimidades nacionais, Fernanda Montenegro, filha de operário e dona de casa e nascida no subúrbio do Rio de janeiro, já foi laureada com o antigo Prêmio Molíère e o Urso de Prata do Festival de Berlim, já disputou o Oscar e o Globo de Ouro.

Além de ser uma formidável atriz, é uma mulher culta, inteligente e progressista. Está sempre do lado certo. Na arte, na vida, na política.

Glória eterna à dama maior do teatro brasileiro!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cresce o emprego no Brasil



O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referente ao mês de setembro. Neste mês, o número de empregados celetistas teve um saldo positivo de 252.617 empregos.

Em números totais, os primeiros nove meses desse ano registram 12.272.201 contratações e 11.339.550 desligamentos. O saldo é de 932.651 empregos formais. Apenas os estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Alagoas e Maranhão tiveram saldo negativo.

Nos últimos doze meses, o pior desempenho foi no mês de dezembro de 2008, com saldo negativo de 654.946 empregos. O gráfico do emprego no Brasil formou um “V”. O trimestre novembro de 2008 a janeiro de 2009 foi negativo, com mais desligamentos do que contratações. A curva do emprego entrou no azul a partir de fevereiro, culminando com o recorde de contratações do ano neste mês de setembro.

Uma observação importante: embora o saldo no ano vá ficar positivo, é muito grande a rotatividade do emprego no país. Em nove meses o CAGED aponta 11.339.550 demissões, o que torna cada vez mais necessária uma legislação eficaz para combater as demissões imotivadas.

A magia do futebol



A seleção de futebol de Honduras se classificou para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. A classificação foi dramática. Os hondurenhos venceram, nesta quarta-feira, a seleção de El Salvador por 1 a 0, gol de Pavón, o novo heroi do país.
A população ocupou as ruas e comemorou durante toda a noite. O presidente golpista, aproveitando-se da euforia popular, decretou feriado nacional no país. Vejam só: feriado nacional por haver conquistado uma vaga para a Copa!

Mesmo com o país imerso em uma profunda crise política, a vitória lavou a alma dos hondurenhos. É a magia do futebol, esse esporte espetacular capaz de produzir essa catarse coletiva.

Cresce o emprego no Brasil

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referente ao mês de setembro. Neste mês, o número de empregados celetistas teve um saldo positivo de 252.617 empregos.

Em números totais, os primeiros nove meses desse ano registram 12.272.201 contratações e 11.339.550 desligamentos. O saldo é de 932.651 empregos formais. Apenas os estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Alagoas e Maranhão tiveram saldo negativo.

Nos últimos doze meses, o pior desempenho foi no mês de dezembro de 2008, com saldo negativo de 654.946 empregos. O gráfico do emprego no Brasil formou um "V". O trimestre novembro de 2008 a janeiro de 2009  foi negativo, com mais desligamentos do que contratações. A curva do emprego entrou no azul a partir de fevereiro, culminando com o recorde de contratações do ano neste mês de setembro.

Uma observação importante: embora o saldo no ano vá ficar positivo, é muito grande a rotatividade do emprego no país. Em nove meses o CAGED aponta 11.339.550 demissões, o que torna cada vez mais necessária uma legislação eficaz para combater as demissões imotivadas.

A magia do futebol

1-!Hola-Sudafrica!_noticia_fullA seleção de futebol de Honduras se classificou para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. A classificação foi dramática. Os hondurenhos venceram, nesta quarta-feira, a seleção de El Salvadorpor 1 a 0, gol de Pavón, o novo heroi do país.

A população ocupou as ruas e comemorou durante toda a noite. O presidente golpista, aproveitando-se da euforia popular, decretou feriado nacional no país. Vejam só: feriado nacional por haver conquistado uma vaga para a Copa!

Mesmo com o país imerso em uma profunda crise política, a vitória lavou a alma dos hondurenhos. É a magia do futebol, esse esporte espetacular capaz de produzir essa catarse coletiva.

Trio Elétrico

presidenciaveisLula e três presidenciáveis: Dilma, Aécio e Ciro em evento no interior do estado de Minas Gerais, visitando uma  obra do PAC,  a transposição do Rio São Francisco.

Serra, ao ver a foto, deve ter cantado: "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu..."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Marcha dos Trabalhadores em Brasília

No próximo dia 11 de novembro, quarta-feira, seis centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB) realizam a 6ª Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília. Delegações de todo o país se concentram em frente ao estádio Mané Garrincha e de lá seguem em passeata até o Congresso Nacional.

A pauta unitária das centrais sindicais tem como principal bandeira a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Essa é uma das medidas mais importantes para ampliar a oferta de emprego no país.

Mais emprego significa mais renda, mais mercado interno, mais crescimento econômico. É o círculo virtuoso da economia. A ampliação do mercado de trabalho e  a valorização dos salários são pilares essenciais para dar uma qualidade nova ao projeto nacional de desenvolvimento.

Fidel e Obama

Fidel Castro, só para contrariar, apoiou o prêmio Nobel da Paz concedido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Para Fidel, a extrema-direita bate forte em Obama e ampliou os ataques depois da derrota de Chicago para sediar as Olimpíadas.

O prêmio seria, por essa visão, uma forma de aplacar o discurso do conservadorismo radical estadunidense. É uma opinião polêmica. No mundo todo houve um estranhamento com essa homenagem a um presidente que ainda não conseguiu  esquentar a cadeira na Casa Branca.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Previdência privada

Sinal dos tempos. Ao mesmo tempo que a previdência pública vive graus crescentes de incertezas, avança a participação da previdência privada no total de aplicações do país.

A Folha de São Paulo desta segunda-feira diz que os fundos de previdência privada captaram R$ 6,2 bilhões em setembro,  10,3% do mercado de aplicações.  Mantido o ritmo de crescimento, logo superará os fundos de ações.

Para se ter uma ideia da evolução da previdência privada, compare-se dois números: em 2005, os fundos de previdência somavam R$ 60,9 bilhões. Esse valor dobrou em menos de cinco anos e chegou a R$ 137,87 bilhões (dados de setembro de 2009).

Não é exagero supor que deve haver uma relação de causa e efeito entre a diminuição dos valores da aposentadoria pública e o crescimento do mercado da previdência privada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fator Previdenciário



O Deputado Federal Pepe Vargas (PT/RS), da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal, apresentou substitutivo ao PL 3299/08, do Senador Paulo Paim, que modifica a fórmula de cálculo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

O relatório é polêmico e deverá produzir muitas discussões. O frágil acordo verbal entre o Governo e algumas centrais sindicais (CUT, Força Sindical e CGTB – a UGT pulou fora do barco) é muito precário e não alcançou legitimidade entre os trabalhadores.

O centro da polêmica é o Fator Previdenciário, uma das heranças malditas da Era FHC. Essa fórmula de cálculo das aposentadorias leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de sobrevida do segurado. O objetivo frustrado do fator era aumentar a idade média dos aposentados.

Em 1991, por exemplo, a idade média da concessão de aposentadorias para homens era de 54,29 anos, e para as mulheres era de 51,63. Em 2007, a média se manteve praticamente a mesma, 54,83 para homens e 51,83 para mulheres.

A mudança ocorrida foi no valor dos benefícios. Para os homens, a média do fator previdenciário foi de 0,703 (perda de 30% do valor da aposentadoria) e para as mulheres foi de 0,638 (perda de 36%). Segundo o relator, com o advento do fator previdenciário, o arrocho propiciou uma “economia” de R$ 10 bilhões nos gastos previdenciários.

Resumo da ópera: mantiveram-se sem grandes mudanças tanto o número de concessão de aposentadorias quanto a idade média das novas aposentadorias. A mudança, repita-se, foi no decréscimo do valor dos proventos e pensões.

Para ter um valor maior de aposentadoria, o beneficiário precisaria trabalhar mais e se aposentar com idade mais elevada. As incertezas e falta de segurança jurídica levam os trabalhadores a se aposentarem assim que cumpram os requisitos mínimos.

Essa tendência se consolidou com um fato novo: em 11 de outubro de 2006, o Supremo Tribunal Federal acolheu representação que garante ao aposentado o saque total dos depósitos no FGTS. Se voltar a trabalhar, pode efetuar o saque mensal de novos depósitos no fundo.

O relatório do deputado Pepe Vargas, do qual se extraiu os dados aqui apresentados, diz que a extinção pura e simples do fator previdenciário e a volta da fórmula anterior de cálculo da aposentadoria faria com que os gastos da Previdência, em 2050, atingissem 36,3% do PIB!!!

Esse número mirabolante, produzido por cálculos atuariais atribuídos ao Ministério da Previdência, não é demonstrado no relatório. Geralmente quando se fala em algum tipo de reforma da previdência, sempre se repete a mesma justificativa: a Previdência vai quebrar!

Ocorre que quem está quebrando mesmo são os aposentados. Uma redução de 30% a 36% nos benefícios produzidos pelo Fator Previdenciário é algo que não se sustenta nem socialmente nem por alegados equilíbrios econômico-financeiros e atuariais.

Diante do impasse e da oposição crescente ao relatório apresentado, é de se esperar que a Câmara Federal consiga o que o Deputado Pepe Vargas não conseguiu: eliminar o fator previdenciário e construir alternativas que preservem os direitos previdenciários dos trabalhadores.

Fator Previdenciário

O Deputado Federal Pepe Vargas (PT/RS), da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal, apresentou substitutivo ao PL 3299/08, do Senador Paulo Paim, que modifica a fórmula de cálculo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

O relatório é polêmico e deverá produzir muitas discussões. O frágil acordo verbal entre o Governo e algumas centrais sindicais (CUT, Força Sindical e CGTB - a UGT pulou fora do barco) é muito precário e não alcançou legitimidade entre os trabalhadores.

O centro da polêmica é o Fator Previdenciário, uma das heranças malditas da Era FHC. Essa fórmula de cálculo das aposentadorias leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de sobrevida do segurado. O objetivo frustrado do fator era aumentar a idade média dos aposentados.

Em 1991, por exemplo, a idade média da concessão de aposentadorias para homens era de 54,29 anos, e para as mulheres era de 51,63. Em 2007, a média se manteve praticamente a mesma, 54,83 para homens e 51,83 para mulheres.

A mudança ocorrida foi no valor dos benefícios. Para os homens, a média do fator previdenciário foi de 0,703 (perda de 30% do valor da aposentadoria) e para as mulheres foi de 0,638 (perda de 36%). Segundo o relator,  com o advento do fator previdenciário, o arrocho propiciou uma "economia" de R$ 10 bilhões nos gastos previdenciários.

Resumo da ópera: mantiveram-se sem grandes mudanças tanto o número de concessão de aposentadorias quanto a idade média das novas aposentadorias. A mudança, repita-se, foi no decréscimo do valor dos proventos e pensões.

Para ter um valor maior de aposentadoria, o beneficiário precisaria trabalhar mais e se aposentar com idade mais elevada. As incertezas e falta de segurança jurídica levam os trabalhadores a se aposentarem assim que cumpram os requisitos mínimos.

Essa tendência se consolidou com um fato novo: em 11 de outubro de 2006, o Supremo Tribunal Federal acolheu representação que garante ao aposentado o saque total dos depósitos no FGTS. Se voltar a trabalhar, pode efetuar o saque mensal de novos depósitos no fundo.

O relatório do deputado  Pepe Vargas, do qual se extraiu os dados aqui apresentados, diz que a extinção pura e simples do fator previdenciário e a volta da fórmula anterior de cálculo da aposentadoria faria com que os gastos da Previdência, em 2050, atingissem 36,3% do PIB!!!   

Esse número mirabolante, produzido por cálculos atuariais atribuídos ao Ministério da Previdência, não é demonstrado no relatório. Geralmente quando se fala em algum tipo de reforma da previdência, sempre se repete a mesma justificativa: a Previdência vai quebrar!

Ocorre que quem está quebrando mesmo são os aposentados. Uma redução de 30% a 36% nos benefícios produzidos pelo Fator Previdenciário é algo que não se sustenta nem socialmente nem por alegados equilíbrios econômico-financeiros e atuariais. 

Diante do impasse e da oposição crescente ao relatório apresentado, é de se esperar que a Câmara Federal consiga o que o Deputado Pepe Vargas não conseguiu: eliminar o fator previdenciário e construir alternativas que preservem os direitos previdenciários dos trabalhadores.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

As peças se movimentam

O anúncio de que o PMDB vai apoiar Dilma começa a dar contornos mais nítidos para a batalha da sucessão presidencial. No dia anterior, o PDT também caminhou na mesma direção. O PCdoB vai definir sua posição no congresso do partido, a partir da compreensão de que o ciclo progressista inaugurado pelo governo Lula deve ser mantido e aprofundado.

Dos partidos da base aliada, apenas o PSB apresenta uma alternativa, o nome de Ciro Gomes. No contexto político do país, ele pode ser candidato a presidente,  pleitear a vice-presidência de Dilma ou postular o governo de São Paulo.

Essa trinca de opções, com prazo de validade até o acerto entre Dilma e o PMDB, pode se afunilar. Cá com os meus botões, acredito que Pindamonhangaba tem mais de um nome a apresentar para ocupar o Palácio dos Bandeirantes a partir de primeiro de janeiro de 2011.

Censo Agropecuário 2006

O Censo Agropecuário de 2006, só agora divulgado pelo IBGE, apresenta diversos indicadores que, como todos os dados estatísticos, se prestam a diferentes interpretações. No texto anterior eu repercuti uma análise de economistas da Unicamp. Neste, reproduzo outra vertente analítica sobre o problema fundiário brasileiro, feito por organizações ligadas à luta pela reforma agrária no Brasil.

Os números: 2,5 milhões de famílias pobres, com propriedades menores de 10 hectares, ocupam 2,7% do total das terras no Brasil, equivalente a 7,7 milhões de hectares, quando dez anos atrás esse segmento possuía 9,9 milhões de hectares.

Na outra ponta, dois números que atestam a evolução da concentração fundiária no país. 31.899 fazendeiros, com propriedades acima de 1.000 hectares, dominam 48 milhões de hectares de terras, enquanto 15.012 grandes proprietários (áreas acima de 2.500 hectares), que representam menos de 1% dos estabelecimentos, detém 98 milhões de hectares.

A grande propriedazde produz commodities para exportação (soja, milho, cana) e pecuária, ao passo que a agricultura familiar se volta para a produção de alimentos para o mercado interno (arroz, feijão, mandioca, trigo).

O PIB da agricultura é de R$ 141 bilhões, só que a agricultura familiar responde por R$ 50 bilhões, recebendo apenas R$ 6 bilhões de crédito. Reestruturar e democratizar o acesso à terra e ao crédito e reorganizar a produção rural, segundo as entidades do setor, são tarefas prioritárias.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Agricultura familiar

Foi divulgado nesta semana o censo agropecuário brasileiro de 2006. A surpresa ficou por conta da agricultura familiar. Esse segmento cresce, apesar do avanço do agronegócio. Vejamos alguns números:

a) no Brasil há 4,5 milhões de estabelecimentos caracterizados como agricultura familiar, o que equivale a 87,95% do total;

b) esses estabelecimentos ocupam 106 milhões de hectares, 32,3% do total;

c) a agricultura familair representa 40% da produção agropecuária brasileira;

d) esse segmento emprega 13 milhões de pessoas (78,8% da mão-de-obra no campo);

e) o valor bruto da produção corresponde a R$ 57,5 bilhões.

Esses indicadores, publicados em artigo dos economistas da Unicamp Antônio Márcio Buainain, Alberto Di Sabbato e Carlos E. Guanziroli, demonstram que a agricultura familiar aumenta sua participação na produção agropecuária e tem grande importância econômica e social.

domingo, 4 de outubro de 2009

Tributo à Mercedes Sosa


A música latino-americana está de luto. A morte da magistral Mercedes Sosa, a mais célebre cantora argentina contemporânea, retira do palco a voz forte e bonite dessa artista de vanguarda e militante de esquerda.
Eu tive o inesquecível privilégio de assistir a um espetáculo seu no Brasil, em 1978, no ginásio do Ibirapuera. Na época, Brasil e Argentina viviam sob o tacão dos militares.
Ouvir a voz de Mercedes Sosa era um alento para o espírito e para a luta pela democracia, não apenas em seu país.
Mercedes Sosa estará eternamente presente em nossos corações. Ela vai, fica sua música, sua voz, fica a lembrança permanente de uma mulher que, com sua arte, contribuiu para a conquista da democracia e pela integração latino-americana.
Soy loco por ti, Mercedes...

sábado, 3 de outubro de 2009

Mercedes Sosa

Em 1978 assisti a um espetáculo da Mercedes Sosa em São Paulo, no ginásio do Ibirapuera. Ela se apresentou ao lado de Milton Nascimento. Desde essa época sou fã de carteirinha dessa maravilhosa cantora argentina.

Dona de uma voz fenonenal, militante de esquerda, Mercedes Sosa atingiu a fama quando ditaduras militares vigoravam em seu país e no Brasil. Uma forma de fazer oposição, pelo menos em circuitos culturais alternativos, era valorizar a música latino-americana contestadora.

Aqui mesmo no Brasil havia um grupo, o Tarancón, que fazia grande sucesso. Não sei se eles estão juntos ainda. Violeta Parra e Vitor Jara, além de brasileiros como Chico Buarque, eram os grandes intérpretes dos nossos sonhos libertários da época.

Principalmente para aqueles que vivemos esse período,  as últimas notícias dando conta da grave enfermidade de Mercedes Sosa é uma coisa muito triste. Sua voz forte e bonita, sejam quais forem as vicissitudes da vida, serão celebradas eternamente. Don't cry for me, Argentina.